Evolução dos Transformers e LLMs
A evolução dos Transformers e LLMs começou em 2017. Descubra como self-attention, BERT, GPT-3 e ChatGPT mudaram a inteligência artificial para sempre.

Neste artigo
A evolução dos Transformers e LLMs começou de forma discreta em 2017 e, em poucos anos, redesenhou o que máquinas conseguem fazer com linguagem. Antes, redes recorrentes processavam texto palavra por palavra e travavam em sequências longas. O mecanismo de self-attention resolveu esse gargalo e abriu caminho para modelos com bilhões de parâmetros capazes de gerar, traduzir e raciocinar.
Resposta rápida: A evolução dos Transformers e LLMs parte do paper “Attention Is All You Need”, de 2017, que eliminou a recorrência e usou apenas atenção. Em seguida vieram BERT (2018), a série GPT e o ChatGPT (2022), que transformaram a escala e a acessibilidade dos modelos de linguagem.
Neste artigo você vai entender os marcos técnicos, as diferenças entre arquiteturas encoder e decoder, os números de parâmetros que mudaram o jogo e as perguntas que mais aparecem nas buscas sobre o tema.
O que é a arquitetura Transformer e quando surgiu?#
A arquitetura Transformer nasceu em junho de 2017, quando oito pesquisadores do Google publicaram o artigo “Attention Is All You Need”. Em vez de processar a sequência de forma sequencial, como faziam as redes recorrentes, o modelo calcula relações entre todas as palavras ao mesmo tempo. Isso tornou o treinamento altamente paralelizável e acelerou o desenvolvimento de modelos de linguagem grandes.arXiv
O núcleo da ideia é o self-attention: cada token “olha” para todos os outros e atribui pesos de importância. O paper original testou a abordagem em tradução automática e alcançou 28,4 pontos BLEU no conjunto inglês-alemão e 41,8 no inglês-francês, superando sistemas anteriores com bem menos tempo de treino. Os experimentos rodaram em apenas oito GPUs durante 3,5 dias.arXiv
Antes do Transformer, o estado da arte dependia de LSTMs e de mecanismos de atenção acoplados a redes recorrentes. A mudança de paradigma eliminou a necessidade de estados ocultos sequenciais e permitiu empilhar camadas de atenção de forma eficiente. Essa base arquitetural continua presente, com variações, em praticamente todos os grandes modelos de linguagem atuais.
Como o paper Attention Is All You Need mudou a IA?#

O artigo de Vaswani e colegas não inventou a atenção, mas mostrou que ela bastava. Modelos anteriores usavam atenção apenas como complemento a recorrências. Ao descartar completamente RNNs e convoluções, o Transformer reduziu o caminho de informação entre posições distantes a um único passo de atenção, o que facilitou o aprendizado de dependências de longo alcance.
A paralelização foi o ganho prático mais imediato. Treinar redes recorrentes exigia processar token após token; o Transformer processa a sequência inteira de uma vez. Isso permitiu aproveitar melhor o hardware de GPUs e TPUs e abriu a porta para modelos com centenas de milhões e, depois, bilhões de parâmetros. O resultado apareceu rapidamente em benchmarks de tradução e parsing.
Além da performance, o paper influenciou a forma como a comunidade passou a pensar em arquiteturas. Em pouco mais de um ano, surgiram variantes especializadas: algumas usavam só o encoder, outras só o decoder. Essa flexibilidade transformou o Transformer em plataforma comum para quase todas as tarefas de processamento de linguagem natural.
Qual a diferença entre BERT e GPT na evolução dos Transformers?#
Em 2018, duas linhas se separaram a partir da mesma arquitetura. O GPT-1, da OpenAI, adotou apenas o decoder e treinou o modelo para prever a próxima palavra de forma autoregressiva. O BERT, do Google, usou apenas o encoder e aprendeu a preencher palavras mascaradas olhando o contexto dos dois lados. Cada abordagem otimizou um tipo de tarefa.arXiv
O BERT, com versões de 110 milhões e 340 milhões de parâmetros, estabeleceu novos recordes em onze benchmarks de compreensão, incluindo GLUE e SQuAD. Sua natureza bidirecional o tornou excelente para classificação, resposta a perguntas e análise de sentimento. O GPT-1, com cerca de 117 milhões de parâmetros, mostrou que o pré-treinamento generativo seguido de fine-tuning já entregava bons resultados em várias tarefas.
Essa divisão guiou a evolução dos Transformers e LLMs nos anos seguintes. Modelos focados em entendimento continuaram na linha encoder, enquanto a geração de texto longo e criativo privilegiou a linha decoder-only. A maioria dos LLMs contemporâneos, incluindo a família GPT e os modelos abertos derivados, seguiu o caminho decoder.
Como o GPT-3 marcou a escala dos LLMs?#
O GPT-3, lançado em 2020, levou a escala a outro patamar: 175 bilhões de parâmetros treinados em centenas de bilhões de tokens. O paper “Language Models are Few-Shot Learners” demonstrou que, com tamanho suficiente, o modelo conseguia realizar tarefas novas apenas a partir de alguns exemplos colocados no prompt, sem atualizar pesos.arXiv
Essa capacidade de in-context learning mudou a forma de usar modelos de linguagem. Em vez de fine-tuning caro para cada tarefa, bastava descrever o objetivo em linguagem natural e fornecer poucas demonstrações. O GPT-3 alcançou resultados competitivos em tradução, perguntas e respostas, raciocínio aritmético e geração de textos que avaliadores humanos tinham dificuldade de distinguir de textos reais.
O salto de tamanho também consolidou as leis de escala: desempenho melhora de forma previsível com mais parâmetros, mais dados e mais computação. A partir daí, a corrida por modelos maiores e por otimizações de eficiência se intensificou, abrindo espaço tanto para sistemas proprietários quanto para iniciativas de pesos abertos.
Quando o ChatGPT popularizou os LLMs?#
Em 30 de novembro de 2022, a OpenAI lançou o ChatGPT como preview de pesquisa baseado em uma versão afinada da série GPT-3.5. A interface conversacional simples e o acesso gratuito transformaram um modelo de laboratório em fenômeno global. Em poucos dias o sistema atingiu um milhão de usuários e, em dois meses, estimativas apontavam para cerca de cem milhões de usuários mensais.OpenAI
O ChatGPT não inventou a arquitetura Transformer nem o pré-treinamento em larga escala. Seu diferencial foi tornar a capacidade dos LLMs acessível a qualquer pessoa com um navegador. A combinação de geração fluente, capacidade de seguir instruções e diálogo multi-turno mostrou, na prática, o que a evolução dos Transformers e LLMs havia preparado nos cinco anos anteriores.
O impacto foi imediato: empresas aceleraram investimentos, novos modelos concorrentes surgiram e o termo “inteligência artificial generativa” entrou no vocabulário cotidiano. A partir desse momento, a conversa deixou de ser apenas técnica e passou a envolver produtividade, educação, criação de conteúdo e regulamentação.
Quais foram os predecessores dos Transformers?#
Antes de 2017, o processamento de sequências dependia fortemente de redes recorrentes. As LSTMs, propostas em 1997, resolveram parte do problema do gradiente que desaparece e permitiram capturar dependências um pouco mais longas. Em 2014, o paradigma seq2seq com atenção de Bahdanau melhorou a tradução automática ao permitir que o decoder consultasse partes relevantes da frase de origem.
Esses avanços ainda sofriam com o processamento sequencial: cada passo dependia do anterior, o que limitava a paralelização e o tamanho prático dos modelos. O paper de 2016 sobre atenção decomponível já sugeria que a atenção sozinha poderia competir com LSTMs em certas tarefas, preparando o terreno para a hipótese radical do Transformer.
A transição não foi abrupta. Word embeddings como Word2Vec (2013) e modelos como ELMo mostraram o valor de representações contextuais. O Transformer herdou essas ideias e as combinou com paralelismo total, criando a base sobre a qual os LLMs atuais foram construídos.
Por que o self-attention é tão poderoso?#
O self-attention calcula, para cada posição, uma média ponderada de todas as outras posições da sequência. Diferente das recorrências, a distância entre duas palavras não aumenta o número de passos necessários para a informação fluir. Isso permite modelar relações sintáticas e semânticas complexas de forma direta.
A versão multi-head divide a atenção em várias “cabeças” paralelas, cada uma capturando tipos diferentes de relação. O paper original usou oito cabeças. A combinação de multi-head attention, redes feed-forward, conexões residuais e normalização de camada formou um bloco estável e escalável.
Na prática, o mecanismo se mostrou versátil além do texto. A mesma lógica de atenção entre pares de tokens foi adaptada para imagens (Vision Transformer), áudio e dados multimodais, mostrando que a ideia central transcende o domínio original da tradução automática.
Como a evolução dos Transformers levou aos LLMs multimodais?#
Depois de dominar o texto, a arquitetura foi estendida para outras modalidades. O Vision Transformer, de 2020-2021, tratou imagens como sequências de patches e aplicou self-attention puro, sem convoluções. Modelos posteriores passaram a processar texto, imagem, áudio e vídeo dentro da mesma estrutura de atenção.
Essa unificação permitiu sistemas que descrevem imagens, respondem perguntas visuais e geram conteúdo a partir de prompts mistos. A evolução dos Transformers e LLMs deixou de ser apenas sobre linguagem e passou a ser sobre representação unificada de diferentes tipos de dados.
O custo computacional cresceu junto com as capacidades. Técnicas como atenção esparsa, linear attention e mecanismos de memória externa surgiram para lidar com contextos cada vez mais longos sem explodir o uso de memória e tempo de inferência.
O que são leis de escala nos LLMs?#
Pesquisas de 2020 mostraram que a perda de modelos de linguagem diminui de forma suave e previsível quando se aumentam parâmetros, dados e computação de forma coordenada. Essas relações, conhecidas como scaling laws, orientaram decisões de investimento e de design de novos modelos.
O GPT-3 foi um dos primeiros exemplos claros de que o aumento de escala não só melhora tarefas já conhecidas, mas também revela capacidades emergentes, como o few-shot learning. Modelos posteriores continuaram testando os limites dessas leis, ao mesmo tempo em que buscavam eficiência por meio de arquiteturas mais esparsas ou de dados de maior qualidade.
A compreensão dessas leis ajuda a explicar por que a comunidade passou a falar em “era dos LLMs”: o salto qualitativo veio menos de mudanças radicais de arquitetura e mais da aplicação consistente de mais recursos sobre a mesma base Transformer.
Quais os próximos passos na evolução dos Transformers e LLMs?#
A pesquisa atual explora formas de reduzir a complexidade quadrática da atenção clássica. Arquiteturas híbridas combinam atenção com mecanismos lineares ou recorrentes para lidar com contextos de centenas de milhares de tokens. Ao mesmo tempo, modelos abertos de alto desempenho democratizam o acesso e aceleram a experimentação.
Outro eixo importante é o alinhamento: técnicas como RLHF e treinamento com feedback humano tornaram os modelos mais úteis e seguros para uso conversacional. A evolução dos Transformers e LLMs agora inclui não só capacidade bruta, mas também comportamento desejável e eficiência energética.
O campo permanece dinâmico. Novas propostas de arquitetura competem com o Transformer puro, mas a maioria dos sistemas de ponta ainda se apoia, de alguma forma, na ideia central de atenção introduzida em 2017. O próximo capítulo provavelmente combinará escala, eficiência e integração multimodal ainda mais profunda.
Perguntas frequentes#
Muitas pessoas buscam respostas diretas sobre datas, diferenças técnicas e impactos práticos da evolução dos Transformers e LLMs. As dúvidas mais comuns giram em torno da origem da arquitetura, do papel do ChatGPT e das diferenças entre as principais famílias de modelos. Abaixo reunimos cinco perguntas frequentes com respostas claras e baseadas nos marcos documentados.
Cada resposta prioriza o fato principal e depois oferece o contexto necessário para entender por que aquele marco importa. Os dados de parâmetros, datas e resultados de benchmark vêm dos papers originais e de relatos oficiais das organizações envolvidas.
Essa seção funciona como referência rápida para quem precisa de informações precisas sem percorrer todo o histórico detalhado.
Quando surgiu o Transformer?#
O Transformer foi apresentado em junho de 2017 no paper “Attention Is All You Need”, de Ashish Vaswani e sete coautores do Google. O artigo propôs uma arquitetura baseada exclusivamente em mecanismos de atenção, eliminando recorrência e convoluções. Os resultados em tradução automática superaram o estado da arte anterior com tempo de treino significativamente menor.
Qual a diferença entre BERT e GPT?#
O BERT usa apenas a parte encoder do Transformer e aprende de forma bidirecional, preenchendo palavras mascaradas. O GPT usa a parte decoder e gera texto de forma autoregressiva, prevendo a próxima palavra. Essa diferença faz o BERT brilhar em tarefas de compreensão e o GPT em geração de texto longo e criativo.
Quantos parâmetros tinha o GPT-3?#
O GPT-3 foi treinado com 175 bilhões de parâmetros. O paper de 2020 mostrou que esse tamanho permitia few-shot learning: o modelo realizava novas tarefas a partir de poucos exemplos no prompt, sem fine-tuning. O salto de escala em relação ao GPT-2 (1,5 bilhão) foi de mais de cem vezes.
Quando o ChatGPT foi lançado?#
O ChatGPT foi liberado ao público em 30 de novembro de 2022 pela OpenAI, como preview de pesquisa baseado na série GPT-3.5. A interface conversacional e o acesso gratuito aceleraram a adoção e popularizaram os LLMs para um público não técnico em escala global.
Por que o Transformer é importante para os LLMs?#
O Transformer resolveu o problema de paralelização das redes recorrentes e permitiu o pré-treinamento de modelos muito maiores de forma eficiente. Quase todos os LLMs atuais — ChatGPT, LLaMA, Gemini, BERT e outros — são variantes ou derivações diretas dessa arquitetura de 2017. Sem ela, a escala atual seria impraticável.
Conclusão#
A evolução dos Transformers e LLMs mostra como uma mudança arquitetural de 2017 — substituir recorrência por self-attention — desencadeou uma cascata de avanços em escala, capacidade e acessibilidade. Do paper original aos modelos de centenas de bilhões de parâmetros e às interfaces conversacionais do dia a dia, o caminho foi rápido e transformador.
Entender esse histórico ajuda a avaliar tanto o potencial quanto os limites da tecnologia atual. Os mesmos princípios que permitiram gerar texto fluente também impõem desafios de custo, alinhamento e uso responsável. Continuar acompanhando os próximos passos é essencial para quem trabalha ou estuda o campo.
Se você notou algum detalhe histórico que merece mais destaque ou tem uma curiosidade específica sobre a evolução dos Transformers e LLMs, deixe seu comentário. A conversa enriquece o entendimento coletivo do tema.